terça-feira, 21 de dezembro de 2010

sem apresentações

O Uchoísmo nasceu sem nenhum propósito e, pensando bem, não achou esse propósito ainda. Aliás, e quem precisa de propósito quando as coisas acontecem tão rápido no nosso tempo e quando as pessoas vivem tantas influências. Uma pessoa que lê a revista Bravo e entra todo dia no site do Fuxico, é assim que somos nós e não há como negar.

Uchoísmo é tudo e é nada, pode ser a vanguarda mais importante dos anos 2000; como pode também ser a loucura anarquista de um suburbano debochado. É um espaço internético para dar vazão ao que der na minha telha, do folheto que eu peguei na rua, um mantra, um artigo científico ou uma foto pornográfica.

Sem apresentações, nem cerimônias, vão chegando e reservem um tempo para o melhor das besteiras e de verdades infâmes, ironia fina e afins.





quinta-feira, 17 de junho de 2010

P. N.



Quando eu estou sem absolutamente nada para fazer, me ocorre três coisas perigosíssimas: 1) comer brigadeiro na panela; 2) Ter planos malucos para fazer coisas mirabolantes, que eu nunca vou ter tempo de fazer na vida, como escrever um Épico Olindense ou compôr a trilha de um musical; 3) Pensar besteiras paranóicas. O costume me ensinou a lidar com essas coisas de maneira sensata, isso quando cada um desses sintomas do ócio aparece ao seu tempo, não todos juntos de uma tacada só num dia de chuva torrencial, fazendo que eu parecesse um guloso ansioso obsessivo paranóico compulsivo workaholic, coisa que eu não sou de maneira alguma.

Foi um golpe baixo do ócio. Comecei bem tranquilo peneirando o chocolate em pó para fazer um brigadeiro que se tornaria inofensivo, uma vez que eu ia dividir com a vizinha, que possivelmente me elogiaria e me perguntaria o segredo dele não pegar no fundo da panela e por ai vai... Um filminho em DVD é bom pra acompanhar... deixe-me ver Chaplin não, um desses blockbusters, também não, ver pela 14ª vez E o vento levou, será? Terminei vendo um jogo da Copa. Na metade do 2º tempo, quando findou o brigadeiro, começou a fervilhar na minha cabeça o plano de aprender canto, na hora, já pensei mil coisas, como sempre. Já estava escolhendo o repertório do primeiro show, planejando shows de tributos, versões inusitadas de Nirvana e Calypso. Duetos! Sonhando com duetos, imaginando que eu seria a única pessoa no Recife que conheceria o chuco-chuco eletrônico da Colômbia e organizaria o Festival Internacional do Chuco-chuco Lationamericano na Praça do Arsenal com...

Uma passeada pelos meus perfis em redes sociais e uma ideia me toma a cabeça: Quem são meus detratores? Será que eu tenho detratores? Será que existem pessoas que tem mais tempo sem nada o que fazer do que eu e ficam lendo as entrelinhas do que eu digo pela rede e afiam críticas sobre a minha pessoa? E o pior é pensar quem seriam esses detratores que tendo tanta personalidades, saradas e gostosonas para ver na internet preferem ver a minha vida? Será que isso existe? Não seria obsessão da minha cabeça, uma obsessão megalomaníaca? Pensar que é obsessão é muito mais cômodo para ignorar o que existe. Eu vou parar por aqui, já me confessei demais. Será que eu me expus demais? Será que eu devo publicar essa postagem? Que bom que amanhã eu volto a rotina.







domingo, 21 de fevereiro de 2010

140

140
Antes de qualquer coisa, permitam um aparte para explicar minha ausência neste Blog. A culpa é de um furacão que atende pelo nome de Twitter. Ele tem reduzido minhas flexões e reflexões a 140 caracteres. Mas isso, de maneira alguma, quer dizer que eu esteja viciado nessa nova ferramenta, mesmo levando em consideração o meu "fogo" por coisas novas.
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Para provar, eu vou mostrar à minha meia-dúzia de leitores fiéis que eu consigo, em tempos de Twitter, desenvolver minhas idéias para além dos 140 toques. A saber:
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A corrupção está impregnada na alma do povo brasileiro, mas não quer dizer que isso não tenha solução. Tem horas que eu fico pensando qual seria...
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Me aterroriza a idéia de um dia ser obrigado a parar de tomar café por algum médico
inconsequente. Não que eu seja dependente, mas ele que não ouse proibir...
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Teatro de Revista virou coisa boa no Brasil e as sobreviventes talentosas desse vuco-vuco cultural são tratadas como deusas da interpretação...
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A faxineira perguntou porque eu guardo um relógio parado na parede do meu quarto, eu tentei pensar em alguma resposta filosófica, mas não me veio nada e ela disse: Oxe!...
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Abajur e cueca não são presentes que se dê a ninguém. Isso tem que constar em todos os manuais de etiqueta #odeio...
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Matemáticos afirmam que daqui a 2 anos e meios vai se esgotar o número de combinações das seleções musicais da Antena 1...
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Eu sou do tempo em que jornal de domingo se lia no domingo. Vejam que coisa esquisita!...
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Hoje só há dois tipos de cronistas que ganham dinheiro: os que apanharam na ditadura e os que dizem que apanharam na ditadura...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Botando as coisas nos seus lugares



Botando as coisas nos seus lugares



Querer é o primeiro passo pra acontecer. Primeiro é tudo que vem pra começar. Começar é o que a gente tem que fazer pra coisas acontecerem. Fazer é deixar de ficar parado. Parado é como fica uma coisa quando morre. Morrer é deixar de fazer as coisas. Coisa é tudo que existe no mundo ou na nossa cabeça. Cabeça é onde a gente guarda tudo que é nosso. Guardar é dar valor. Valor é o que a coisa é pra gente ou pra um monte de pessoas juntas. Junto é como a gente sempre devia estar no mundo. Mundo é um monte de coisa junta e a gente no meio dele. Meio é qualquer lugar que não é a beira. Beira é o fim de qualquer coisa. Fim é quando a gente não pode mais fazer nada. Nada é o que fica quando tudo vai embora. Tudo é tudo mesmo.




Esse post é uma homenagem a um livro que marcou minha infância. Mania de Explicação de Adriana Falcão. E me veio à cabeça numa hora em que eu acho que o mundo tá precisando botar as coisas nos seus devidos lugares.



quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Eu não tenho tempo

Eu não tenho tempo

Odeio dizer essa frase, acho um enorme equívoco, venha de quem venha e, sobretudo, se sair da minha boca. Toda vez que penso em dizer isso, me vem à cabeça o nome de várias pessoas que simplesmente brincam com o relógio, fazendo o dia valer por uma semana.

Estou aqui, mais uma vez, correndo no meio dos comes e bebes da virada, em contagem regressiva para postar o último rabisco do ano e desejar tudo aquilo que de mais clichê existir nesses cartões de empresas a todos aqueles que perderam seu tempo de vez em quando dando atenção a essas mal versadas linhas e que viram esse cronista inculto derramar o seu arsenal de banalidades. Coisas tão miúdas como por exemplo falar sobre a minha relação com a rotina e com tempo. Vê se pode?

Foi assim nesse ano: nem tive tempo de vê-lo passar. Foi o ano em que eu mais deixei coisas para fazer “amanhã” e enquanto tinha amanhã eu ia postergando. E é por isso que aqui fica minha promessa para 2010. Quero tudo pra hoje, meu sonho é agora. Esse é um ano bonito pra fazer grandes coisas, 10, 10. Daqui a 25 anos eu vou contar pra alguém que em 2010, depois de 1 ano e meio eu consegui escrever minha adaptação de “La Celestina” e que um grupo de teatro aceitou encenar o texto.

Quero poder contar muitas coisas boas de 2010. Sempre com o objetivo de segurar o máximo de tempo possível o sorriso no meu rosto. Quero aproveitar o tempo que eu faço a barba, o tempo que eu perco no trânsito, na sala de espera do dentista, na fila do supermercado, no restaurante na hora do almoço.

Eu sempre adorei cadernos novos e um ano novo é como um caderno novo. Branquinho, cheirando a papel novo e a gente fica planejando mil coisas para encher aquelas folhas. Prometendo não repetir os erros dos cadernos velhos.

E eu prometo ter tempo pra fazer bonito nesse caderno novo e não precisar mais reclamar da falta de tempo. Tempo esse que já me falta agora para pensar em uma frase de efeito pra fechar o post com chave de ouro. Para todos os efeito, vai um “Feliz 2010!”

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Caríssima Louana,

Caríssima Louana,

Imagino que deve estar estarrecida ao abrir esta carta, por dois motivos suponho eu: um por ter recebido uma carta nesses tempos de orkut, e-mail, msn, twitter... e outro por ter sido eu o autor da carta. Como se não bastasse seu espanto, vou somar a ele a revelação de que irei publicar, mesmo sem a sua permissão, essa carta em meu blog. Isso mesmo, eu tenho um blog. Você sempre me dizia que o que eu escrevia parecia bonito, pois é...

Certamente várias pessoas vão ler essa carta antes de você, pois um blog é mais rápido que os correios, mesmo você morando na mesma cidade que eu, mas me deu na telha hoje de escrever uma carta, depois do que li de Fernanda Young no jornal. Ela disse que uma carta é o jeito de falar mais sincero que existe. Pensei em quem eu escreveria uma carta sincera e me lembrei de você que fez parte da minha vida há tantos anos e simplesmente sumiu do meu caminho e eu do seu.

Eu mudei muito de quatro anos pra cá, aliás, eu mudei muito de 22 anos pra cá, eu vivo mudando, não sei se isso é bom. Talvez hoje a gente nem goste das mesmas coisas mais. Por exemplo, não suporto mais pipoca doce e finalmente concordei que Pink Floyd é bom. Eu continuo tentando fazer de tudo com mil projetos. Continuo alimentando meu caderninho sujo de idéias ordinárias e você continua sendo a única pessoa desse planeta que leu o caderninho. Às vezes eu me pego lembrando daquele padeiro que a gente idolatrava por fazer o melhor pão ciabatta de calabresa do mundo ou de Olinda.

Eu vivo querendo me encontrar com as coisas do passado, eu não quero vivê-lo novamente, não ia agüentar a minha ingenuidade dos tempos em que eu te conheci. Só queria olhar de longe, sentir o cheiro do ciabatta que saia sempre às 4 da tarde na padaria, dia sim, dia não. Queria encontrar você de novo, não 4 anos depois, mas 4 anos atrás. Tenho medo do que você pode ser hoje, sem querer lhe ofender, você me conhece. Aliás, você ão tem orkut né? É até bom que eu fico imaginando o que aconteceu da sua vida. Vou encerrar por aqui, a carta está pequena, mas o post está longo.





Felicidades,

do amigo de sempre.







quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Papoulas

Papoulas

Final do ano de 1974, uma simplória professora de pintura cruza os corredores de um hospital levando consigo um quadro. Enquanto caminha ela sorri tentando amenizar a estranheza da cena. Em suas mãos a tela de uma iniciante, nada muito sofisticado, um vaso de papoulas amarelas e vermelhas no canto de uma parede qualquer. A professora
abre a porta de um dos leitos e acorda a paciente pálida em sua cama, avisando:

- Você esqueceu mais uma vez de assinar seu quadro.

A professora havia trazido tinta e um pincel fino e usou sua autoridade para fazer a aluna assinar com mãos trêmulas e fracas a tela de sua autoria.

Essas papoulas me acordam todos os dias. A assinatura torta no canto da tela é da minha mãe. Ela pintou óleo sobre tela por um bom tempo da sua juventude, mas a alergia aos solventes usados nessa técnica a fizeram migrar para o artesanato, ofício que exerce até hoje com reconhecida maestria.

Houve um tempo que em minha casa não havia nenhum quadro que não fosse da minha mãe e eram muitos, fora os que enfeitavam as casa dos parentes. Minha ocupação era tentar desvendar o que se passava na cabeça dela para ter pintado aquilo, quantas cores, quanta delicadeza, tanta minúcia no traço. Quem era a mulher a pintou esse quadro? Que sonhos ela tinha? O que fez ela guardar seus sonhos numa caixinha e preferir fazer a lista do supermercado, escolher o novo piso da suíte ou se ocupar em resolver a infiltração na área de serviço. Onde está a mulher que esbanjou cores naquelas papoulas que eu vejo todos os dias? Aquelas papoulas testemunhas de uma juventude revelada em cores tão bonitas. Minha mãe é eterna.



Final do ano de 1974, uma simplória professora de pintura cruza os corredores de um hospital levando consigo um quadro. Enquanto caminha ela sorri tentando amenizar a estranheza da cena. Em suas mãos a tela de uma iniciante, nada muito sofisticado, um vaso de papoulas amarelas e vermelhas no canto de uma parede qualquer. A professora abre a porta de um dos leitos e acorda a paciente pálida em sua cama, avisando:

- Você esqueceu mais uma vez de assinar seu quadro.

A professora havia trazido tinta e um pincel fino e usou sua autoridade para fazer a aluna assinar com mãos trêmulas e fracas a tela de sua autoria.


Essas papoulas me acordam todos os dias. A assinatura torta no canto da tela é da minha mãe. Ela pintou óleo sobre tela por um bom tempo da sua juventude, mas a alergia aos solventes usados nessa técnica a fizeram migrar para o artesanato, ofício que exerce até hoje com reconhecida maestria.

Houve um tempo que em minha casa não havia nenhum quadro que não fosse da minha mãe e eram muitos, fora os que enfeitavam as casa dos parentes. Minha ocupação era tentar desvendar o que se passava na cabeça dela para ter pintado aquilo, quantas cores, quanta delicadeza, tanta minúcia no traço. Quem era a mulher a pintou esse quadro? Que sonhos ela tinha? O que fez ela guardar seus sonhos numa caixinha e preferir fazer a lista do supermercado, escolher o novo piso da suíte ou se ocupar em resolver a infiltração na área de serviço. Onde está a mulher que esbanjou cores naquelas papoulas que eu vejo todos os dias? Aquelas papoulas testemunhas de uma juventude revelada em cores tão bonitas. Minha mãe é eterna.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Boa Tarde, Boa Vista

Boa Tarde, Boa Vista

Vez por outra eu me permito o prazer de almoçar num tradicional restaurante do Bairro da Boa Vista, no centro do Recife. O lugar é interessantíssimo e merecia há algum tempo uma homenagem nesse meu caderno de rabiscos. Sem nenhum requinte gastronômico, ele cruza os anos como uma trincheira de resistência do romantismo que cercava esse bairro nos tempos de outrora. Reduto de tantos poetas, artistas e pessoas que aprenderam a gostar do Recife morando ali, passando tranquilamente as tardes entre os oitizeiros e os pés-de-azeitona. Hoje a Boa Vista foi devorada pelos prédios comerciais e escritórios com o ritmo frenético que foi tomando o centro do recife na segunda metade do século XX e expulsou muitos moradores, barateou as moradias, depredou os belíssimos prédios que eram o fino da arquitetura dos anos 60 e ali só restaram seres notívagos de vida marginal e idosos que se trancam silenciosos em seus apartamentos amplos onde a água vem com cheiro de ferrugem. A ferrugem do tempo e da encanação de ferro antiga.

É nesse restaurante que a terceira-idade da Boa Vista se encontra para contar suas histórias e fazerem assim como eu: de um simples almoço uma crônica saudosista. Eu comi perfeitamente bem, apesar de saber que no mapa gastronômico do bairro, esse restaurante perderia para outras perólas tradicionais como a Padaria Santa Cruz, a Sorveteria Fri-Sabor e o Mustang. Mas nenhum desses parou no tempo como o restaurante dos idosos da Boa Vista, que nos faz esquecer o barulho dos carros lá fora ao som de uma das melhores discotecas dos anos 70 do Recife. Eu almoço entre as risadas dos velhos e Paulo Diniz, Antônio Marcos, Tim Maia, Earth, Wind and Fire, Santa Esmeralda e por ai vai.

Nada demais no que é servido lá a não ser o o chocolate quente com toque de canela depois do almoço. Bom mesmo é ver o que sobrou de um bairro que já foi símbolo de modernidade no Recife e hoje resiste com a ajuda das bengalas ao tempo que quer transformar a Boa Vista num lugar de passagem entre ruínas e lojas de roupas.



domingo, 27 de setembro de 2009

Transitando

Transitando
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Daqui eu consigo ver claramente, como se eu estivesse lá, um bando de crianças pensando que o mundo era aquela escolinha de bairro. Trafegando por ruas desenhadas pelas professoras e aprendendo como devemos nos comportar no trânsito daqui há alguns anos, quando a maioria de nós estará tirando sua carteira de habilitação. Vermelho! Parei, não tenho pressa, estou me divertindo. Verde! Siga, mas sempre respeitando o limite de velocidade. Correr pra quê? Tenho a vida inteira pela frente.

Alguém já disse que tudo o que a gente precisa saber na vida aprendemos no Jardim da Infância. Hoje, com dois dígitos na minha idade eu tenho que admitir que é verdade e mais do que admitir louvar esse sábio. Há alguns meses eu tive a prova definitiva disso e na ocasião da semana do trânsito, eu me lembrei de compartilhar com vocês.

Estou no final da primeira década do século XXI, deixei há alguns anos a escolinha de bairro. Milhões de compromissos e este servo que vos fala tentando dar conta de servir a três reis, motorizado pelas ruas do Recife, brigando com o relógio e rogando que ela corra mais devagar. Na ânsia por tentar realizar o milagre de estar em dois lugares na mesma hora, um sinal fechando é como inimigo que precisa ser vencido, ou me abaterá no campo de batalhas. Passei! Nem passou pela minha cabeça aquela manhã na escolinha perdida no porão do passado. Passei! Mas estava fechando, não estava fechado. Passei! Cheguei na hora prevista, pra correr de novo e correr e correr. De tudo isso restou 7 pontos na carteira e uma multa amarga.

Já disse várias vezes a mim mesmo que preciso diminuir o ritmo, mas por outro lado tento me acostumar como esse tomo contemporâneo já que se fosse caminhar no ritmo que eu queria não sei se conseguiria pagar minhas contas. Ah! Que saudade da aurora da minha vida, quando tudo era de brincadeira, até multa de trânsito.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Aquário






Alguns poucos leitores, bem poucos mesmo, cobraram explicações sobre o aquário que eu simplesmente um dia coloquei na estante do blog, aqui do lado, esse mesmo dos peixinhos verde e amarelo. Em respeito aos poucos curiosos eu vou dedicar alguns bytes a esse assunto.




O Aquário foi uma sugestão da Divisão de Marketing e Ações Estratégicas da administração do Blog. Eu relutei muito e derrubei muitos dos argumentos desses marqueteiros com um simples “O Blog é meu e eu não quero”. Depois de exaustivas 4 horas de reunião e sob o efeito de alguns truques hipnóticos, eles me convenceram a colocar o aquário no ar e deixar por um mês, em caráter de teste.




Ao final de um mês, a D´MAE apresentou um relatório que trazia dados até da preferência dos leitores com relação a peças íntimas. Os números comprovaram um aumento monstruoso nas visitas ao Blog. De acordo com um histórico de conexões, perceberam que as pessoas passavam horas no Blog brincando com os peixinhos, fazendo eles seguirem o ponteiro do mouse, ou simplesmente dando um clique no aquário e jogando comida para os coitados.




Senti-me profundamente desprivilegiado vendo que as pessoas preferiam ficar brincando num aquário enquanto eu desfilava o mais fino da minha cultura suburbana. Ao contrário do que podem pensar, quero que deixem o aquário ai, ele será meu concorrente e meu desafio a partir de agora é tirar a atenção das pessoas dessa diversão nonsense. Veremos que ganha: O Blog ou o Aquário?

O Aquário

O Aquário

Alguns poucos leitores, bem poucos mesmo, cobraram explicações sobre o aquário que eu simplesmente um dia coloquei na estante do blog, aqui do lado, esse mesmo dos peixinhos verde e amarelo. Em respeito aos poucos curiosos eu vou dedicar alguns bytes a esse assunto.
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O Aquário foi uma sugestão da Divisão de Marketing e Ações Estratégicas da administração do Blog. Eu relutei muito e derrubei muitos dos argumentos desses marqueteiros com um simples “O Blog é meu e eu não quero”. Depois de exaustivas 4 horas de reunião e sob o efeito de alguns truques hipnóticos, eles me convenceram a colocar o aquário no ar e deixar por um mês, em caráter de teste.
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Ao final de um mês, a D´MAE apresentou um relatório que trazia dados até da preferência dos leitores com relação a peças íntimas. Os números comprovaram um aumento monstruoso nas visitas ao Blog. De acordo com um histórico de conexões, perceberam que as pessoas passavam horas no Blog brincando com os peixinhos, fazendo eles seguirem o ponteiro do mouse, ou simplesmente dando um clique no aquário e jogando comida para os coitados..
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Senti-me profundamente desprivilegiado vendo que as pessoas preferiam ficar brincando num aquário enquanto eu desfilava o mais fino da minha cultura suburbana. Ao contrário do que podem pensar, quero que deixem o aquário ai, ele será meu concorrente e meu desafio a partir de agora é tirar a atenção das pessoas dessa diversão nonsense. Veremos que ganha: O Blog ou o Aquário?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009



Doce Tortura

Hoje que a noite está calma e que minh´alma esperava por ti... Quando alguém engata esse versos num encontro regado a muito álcool logo é acompanhado por um coro que continua a música numa louvação a breguiçe do amor, do sofrer por amor. Porque o leitor há de concordar que não existe nada mais brega do que um homem apaixonado. A mulher apaixonada é uma Madame Bovary e o homem é um Waldick Soriano.

A música se chama Tortura de amor, atribuída a o ícone do Brega Sir Waldick Soriano. A canção é muito bonita e só não alcançou o status merecido no cancioneiro nacional porque saiu da caneta de um homem rústico de chapéu de aba larga e roupas extravagantes. Hoje a música é trilha de prostíbulo ou de fossa de homem traído, mas a letra é de uma delicadeza que só pode ser percebida se a escutarmos para além dos esteriótipos que puseram nela. Uma ótima chance para fazer isso é ouvir a regravação que o grupo português Clã fez desse sucesso em 2007, com a voz tocante e afinada da revelação Manuela Azevedo, num cult-fado-jovem. Vale a pena!

Quero ternura nas nossas vidas, quero viver por toda vida pensando em ti” diz um dos versos de Waldick. Esse romântico inveterado que foi recentemente homenageado com um show e um documentário dirigido por Patrícia Pillar. Essa justa honraria, que veio pouco antes da sua morte, é um trabalho obrigatório para aqueles que torcem o nariz para a figura de Waldick, porque só quem amou de verdade sabe que o amor acima de tudo é brega.

Ouça aqui a canção com o grupo Clã





terça-feira, 8 de setembro de 2009

Mijaram em Bilac

O povo do Recife tem fama de ser...digamos “tropical” para não dizer anti-cívico ou pouco zeloso com a coisa pública. Ocorreu esse pensamento quando passava por uma praça próxima ao Parque 13 de maio, na boca da madrugada e vi um notívago, em visível estado alterado, fazendo suas necessidades ao pé do busto do poeta Olavo Bilac. Para ser bem claro, o indivíduo mijou num dos poetas mais célebres e talentosos da literatura brasileira.

Não vim aqui para partir em defesa de Bilac ou atirar pedra no transeunte com aquele papo de cidadania, depredação, vandalismo..., estou somente chamando atenção para essa cena hilária e significativa. No meio de uma praça, Bilac olhando as estrelas do céu do Recife e um bebum regando seu busto. Nem os mais anarquistas do modernismo imaginariam protesto tão irreverente.

Para Olavo Bilac, eu tiro meu chapéu. O Brasil ainda vai redescobrir o valor desse poeta, que nos tempos áureos já recebeu o codinome de Príncipe dos Poetas e depois do furacão dos Andrade (a saber: Mário, Oswald e Cia.), virou sapo caduco da nossa poesia, símbolo do arcaísmo careta.

Mais o poeira do modernismo baixou e no fim da festa, os leitores começaram a enxergar a beleza e o sentimento que pulsa nos versos quadrados e nas rimas preciosas desse ourives da literatura brasílica.
Um dos sonetos que eu mais gosto de Bilac é Ao coração que sofre, escrito no início dos anos de 1900. Essa predileção de agora está diretamente ligada a fase de melodramático pela qual estou passando.
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Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
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Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
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E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
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E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.

Ruy Castro, no final dos anos 90, escreveu um livro muito divertido em homenagem a Bilac, na verdade uma biografia de ficção com o título Bilac vê estrelas. Vale a pena ver descrito fielmente o início do século XX onde tudo se passava na porta da Confeitaria Colombo. Outros tempos, caro leitor, imagine se Bilac, entornando seu chá da tarde, visse pelo seu monóculo alguém tirando água do joelho bem ao pé de seu busto. Viva a pós-pós-moderninade!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Assim falou Jesús

Um dia meu pai me perguntou que planos eu tinha para o futuro, quando tentei responder, confundi planos com sonhos e ele me interrompeu enfatizando que queria saber o que eu tinha de planejado, programado, traçado. A pergunta me pegou de surpresa como a muitos adolescentes na idade que eu tinha na ocasião. O medo de ver planos frustrados me fez ter aversão a esses projetos de vida e até hoje eu passo os dias planejando no máximo o que vou fazer na próxima semana e continuo a sonhar muito e ao contrário do que poderia pensar meu pai, a vida tem colocado em meu caminho muitas felicidades e o melhor: a surpresa do inesperado, do não projetado, do não programado.

Foi assim que me veio hoje as palavras de um certo professor de Filosofia, de nome Jesús Vásquez, durante a entrevista que deu ao programa de rádio que produzo. Ele disparou como um gatilho em mim pensamentos que nunca atinei e estavam ali impressos em minhas ações ou nas bobagens que publico neste blog, porque segundo Jesús, não o de Nazaré, “Tudo está programado para a gente não pensar, simplesmente fazer, se movimentar”. Sobre os planos de vida ele disse com seu sotaque carregado do norte da Espanha “Nós escolhemos poucas coisas na vida, o que escolhemos é senão o que fazer com o que vai surgindo em nosso caminho” e defendeu que o destino é uma conjunção de todas as nossas ações que vão abrindo veredas no futuro e aquela máxima de “querer é poder” é uma ingenuidade. O leitor pode estar como eu surpreso dizendo a si mesmo “como não pensei nisso antes?” ou simplesmente parando na metade do post e indo embora.

Um ouvinte numa hora provocou Jesús perguntando sobre a popularização da filosofia e o professor, tal como seu chará mais conhecido, chocou dizendo que a filosofia não serve pra nada, mas explicou logo em seguida, que o problema não é da filosofia e sim da sociedade que quer tudo funcionando como meio para alcançar alguma coisa palpável. Acrescentou que as coisas mais importantes da vida não servem pra nada, o amor não serve pra nada. Foram essas as palavras de Jesús que eu resolvi levar a todo povo e a toda gente. “Ide e postai!”

terça-feira, 16 de junho de 2009

Insônia
Há muitos anos não tinha o deleite de cruzar uma noite insone. A última delas, se a memória não me falha, me lembro de ter devorado um livro de piadas de Ary Toledo ou coisa do tipo. As noites de insônia costumam mudar muito a minha vida, pois é como se a vida me desse um freio e me jogasse num nada onde eu sou obrigado a pensar em tudo o que eu estou fazendo, fazendo, fazendo... A casa mergulha num silêncio fúnebre e a proximidade dos cômodos, somado a meu respeito pelo sono alheio, faz com que eu evite ligar a TV, procurando os Corujões da madrugada.

Ai eu paro. Repasso a agenda de amanhã na minha cabeça, faço planos para as próximas férias, dou minha opinião sobre as manobras políticas para fazer brotar a PEC do terceiro mandato de Lula, prometo ligar para aquela pessoa que há uns 3 anos foi muito importante na minha vida e eu não vejo mais, digo pra mim várias vezes que eu tenho muitos motivos pra dizer que sou feliz, penso em que cor pintar o quarto da próxima vez, prometo voltar a estudar pintura, ou aprender um instrumento...

Sinceramente queria ter mais noites de insônia na minha vida, como esta que estou tendo. Sem sono, no quarto, você não pode fazer nada, nada... você simplesmente planeja, sonha acordado, lembra das alegrias, lembra de quem você era. É como olhar a vida em slow-motion. Não sei se amanhã, quer dizer hoje, ou melhor, daqui a pouco, eu vou começar a fazer tudo diferente, posso até ter um dia de cão por esse sono acumulado que não tirei, mas foi bom ver cada hora da madrugada passar, ver a aurora que inspira os poetas entrar no meu quarto timidamente e vencer o impedimento da cortina...

Já são quase seis da manhã, o jornal já chegou, vou voltar pra cama e levantar como se tivesse dormido horas a fio para não perder a deixa da minha rotina, ligar a cafeteira, escovar os dentes, sentar na privada e ler as notícias do dia... Bom dia!

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Orkut da Princesa Isabel

Num 13 de maio desses por ai, uma senhora de reputação imaculada, casada com um legítimo conde francês, foi encurralada por uma dezena de gaviões de um império tropical e assinou uma lei que libertava, com muito atraso, os negros escravizados nesses confins. Você deve estar dizendo: “senhor cronista, conheço essa história como conheço o martírio de Jesus Cristo no calvário!” E eu respondo que vou me abster unicamente desse resumo e partir logo para o que interessa.
Nessa idas e vindas pelo cyberespaço deparei-me com o perfil do Orkut de ninguém menos que a Princesa Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguelina Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, conhecida nos livros de História como simplesmente Princesa Isabel, a libertadora. Sua Alteza assumiu o trono brasileiro algumas vezes enquanto seu pai O Imperador D. Pedro II, gastava a cota de passagens viajando pela Europa.
O Orkut da Princesa Isabel é um sucesso, considerando que ela é uma senhora quase bicentenária, tem muitos amigos adicionados de todas as tendências políticas, tem de Helena de Tróia até George Walker Bush, passando por Getúlio Vargas e Maria Antonieta de França. As comunidades da qual Bebel faz parte são das mais variadas: uma exalta as belezas da cidade de Petrópolis, outra fala do orgulho de nascer na Cidade Maravilhosa em outra comunidade, discussões inflamadas defendem a volta da monarquia ao Brasil (espertinha hein Bebel!) A Princesa se arrisca até em participar de uma estranha ONG com o nome Associação da Causa Imperial. Meu Deus!
O álbum do orkut da Princesa Isabel é de emocionar, belíssimas fotos recuperadas dela com seus parentes, além de um ensaio com fotos da nossa Princesa em várias épocas, um pitel!
Não resisti e deixei um recado para a musa dos abolicionistas dizendo assim “Olá Alteza, ainda curte um batuque, um ziriguidum? Sai desse canjerê ai e cai no Maracatu, sem dengo, porque a sambada vai ser das boas e vai ter vatapá, abará, acarajé com dendê, angu. E ai? Topas ou não Topas?”
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Perfis como esse fazem parte de um trabalho muito criativo de um professor de História que pediu que os alunos pesquisassem a vida de personalidades da História Mundial e cada um criasse um perfil no Orkut para sua personalidade. O resultado é interessantíssimo, dêem uma busca no Orkut pela comunidade “Meu “eu” Histórico”.

quarta-feira, 6 de maio de 2009


Conto datado

Logo que chegou do Arkansas, Odília teve que ir correndo cumprir a obrigação de contar a sua Tia Laurinha como fora maravilhosa a sua estada na América e como ela agradecia a sua generosa ajuda em custear parte do valor da passagem de volta ao Brasil, mesmo que tudo isso fosse mentira e que Odília estivesse absurdamente cansada para agüentar os qui-qui-quis de sua tia que avisou várias vezes ao pai da garota com sua voz de taquara rachada: “Vou ficar muito sentida se Odília não vier me ver logo que chegar dos Estados Unidos”.

Odília mentiu muito naquela tarde com sua tia, falou que a cidadezinha onde o diabo deu o último suspiro de cansaço era um agradável povoado com gente simples e acolhedora, uma paisagem bucólica e um clima confortável. Esqueceu de mencionar o fato de ter sido enviada pela agência de intercâmbio para uma fazenda onde não se falava em nada a não ser na produção de Leite da tradicional propriedade de Mr. Torks e na qualidade do seu produto que chegava em 9 das 10 mesas da cidade de Litlle Rock. Odília também deixou de falar que contou os dias para acabar o seu intercâmbio, não por saudades do Recife, mas por não suportar a mesma vista na janela todos os dias e por ter aprendido só meio porcento do idioma do país já que esse era o arsenal de palavras que os moradores da Fazenda dos Torks usavam. Odília encerrou a conversa com a tia entregando-lhe uma lembrança do Arkansas: a foto recuperada da avó de Mr. Torks na Fazenda da família tirando...Leite.

Odília saiu da casa de Tia Laurinha desesperada por uma boa e típica refeição pernambucana, depois um delicioso banho de água quente para matar as saudades de uma ducha térmica, que ela já tinha esquecido que existia. Decidiu ir passeando pelas ruas do subúrbio para respirar o ar revigorante da Cidade Maurícia. Quando finalmente chegou na rua onde morava viu na porta de casa uma ambulância, pensou mil coisas, correu e ouviu uma vizinha nova gritar “é ela!”. Como numa operação para prender criminosos, o grupo de jaleco se aproximou de Odília, trazendo máscaras cobrindo o nariz e a boca. Uma delas chegou perguntando com voz de menina “Você está se sentindo bem?”. Odília disse que sim e perguntou porque haveria de estar se sentindo mal. A mulher com voz de menina e jaleco, que parecia ser a médica da equipe, avisou que a garota teria que ser levada para o Hospital a fim de ser examinada para confirmar ou não a suspeita de contágio da Gripe Suína. “Gripe Suína? Mas isso chegou aqui?” A médica respondeu que não, mas esse procedimento era para que justamente essa peste não se espalhe pelo país. O pai de Odília chegou nesse momento e negou-se a colocar a máscara que o enfermeiro lhe ofereceu, nessa hora a rua inteira já estava empolvorosa com a movimentação, e o pai da garota disse: “Querem levar você internada só porque você veio dos Estados Unidos, filha”, a médica retrucou dizendo que o pai havia informado que a menina voltou dos EUA espirrando. “Mais eu espirro sempre quando estou nervosa, só estou me sentindo cansada, cheguei hoje de madrugada.” alertou a garota. De nada valeu. Levaram Odília para o Hospital e até agora a informação que temos é que ela continua internada, podendo ser visitada apenas pelos médicos que estão acompanhando seu caso. O pai de Odília fez até promessa de largar as duas doses de Wisky que tomava religiosamente aos sábados se a filha sair do Hospital e mesmo a garota avisando que estava se sentindo perfeitamente bem, os médicos mantém a clausura respondendo sempre que a paciente está “em observação e que o vírus pode se manisfestar a qualquer momento e é bom que ela fique longe do contato com outras pessoas”.