Odeio dizer essa frase, acho um enorme equívoco, venha de quem venha e, sobretudo, se sair da minha boca. Toda vez que penso em dizer isso, me vem à cabeça o nome de várias pessoas que simplesmente brincam com o relógio, fazendo o dia valer por uma semana.
Estou aqui, mais uma vez, correndo no meio dos comes e bebes da virada, em contagem regressiva para postar o último rabisco do ano e desejar tudo aquilo que de mais clichê existir nesses cartões de empresas a todos aqueles que perderam seu tempo de vez em quando dando atenção a essas mal versadas linhas e que viram esse cronista inculto derramar o seu arsenal de banalidades. Coisas tão miúdas como por exemplo falar sobre a minha relação com a rotina e com tempo. Vê se pode?
Foi assim nesse ano: nem tive tempo de vê-lo passar. Foi o ano em que eu mais deixei coisas para fazer “amanhã” e enquanto tinha amanhã eu ia postergando. E é por isso que aqui fica minha promessa para 2010. Quero tudo pra hoje, meu sonho é agora. Esse é um ano bonito pra fazer grandes coisas, 10, 10. Daqui a 25 anos eu vou contar pra alguém que em 2010, depois de 1 ano e meio eu consegui escrever minha adaptação de “La Celestina” e que um grupo de teatro aceitou encenar o texto.
Quero poder contar muitas coisas boas de 2010. Sempre com o objetivo de segurar o máximo de tempo possível o sorriso no meu rosto. Quero aproveitar o tempo que eu faço a barba, o tempo que eu perco no trânsito, na sala de espera do dentista, na fila do supermercado, no restaurante na hora do almoço.
Eu sempre adorei cadernos novos e um ano novo é como um caderno novo. Branquinho, cheirando a papel novo e a gente fica planejando mil coisas para encher aquelas folhas. Prometendo não repetir os erros dos cadernos velhos.
E eu prometo ter tempo pra fazer bonito nesse caderno novo e não precisar mais reclamar da falta de tempo. Tempo esse que já me falta agora para pensar em uma frase de efeito pra fechar o post com chave de ouro. Para todos os efeito, vai um “Feliz 2010!”